terça-feira, 14 de abril de 2015

Primeiras impressões - e expressões.

“Só quem consegue ver o invisível, pode realizar o impossível.” (Frank Gaines)

E aqui estou já há uma semana e parece como um mês. Mas posso confirmar que vai valer muito mais a pena do que eu esperava. Primeiro contrato, primeiro navio e primeira vez na Europa – como costumo sempre lembrar: “Qual foi a última vez que fiz algo pela primeira vez?”. Respondo que todos os dias nas últimas duas semanas eu consegui realizar esse feito.

No fim de março ao inicio de abril, comecei a minha viagem de despedida pelo Brasil, passando pelo Rio de Janeiro – onde subi pela primeira vez ao Corcovado através da trilha do Parque da Lage, passei por Paraty, Trindade, Praia do Sono e uma dezena de praias de Ubatuba. Pude encontrar vários amigos que não via há tempos e conhecer novas pessoas. Isso já me mostrou como cada dia pode ser diferente e que é fácil aproveitar cada momento.
Após passar a páscoa com minha família, embarquei no dia 6 em direção a Roma e depois Veneza. De longe, foi a viagem mais cansativa da minha vida (dito por alguém que já passou três dias de ônibus indo para Fortaleza). Mas após uma tarde e noite de descanso, o meu relógio biológico já havia se ajustado ao fuso horário.
As 8h estava em pé, de café tomado e pronto para pegar o ônibus em direção ao porto junto de outros 40 novos tripulantes – em sua grande parte de latinos e um outro Brasileiro. Pude conversar com que tinha experiência e criar minhas primeiras expectativas. Chegamos ao porto antes do navio e tivemos mais uma meia hora de espera. E eis que aparece aquele navio gigante (pequeno se comparado aos outros Cruzeiros), mas para alguém que nunca tinha entrado em um, fiquei impressionado.
Afirmo que o cansaço da viagem não foi nada se comparado ao primeiro dia de “trabalho”. Treinamentos, entrega de exames, erros em um documento que já me deixo aflito com a possibilidade de ser mandado de volta para casa... mas temos que parar por alguns minutos e pensar positivo, o universo conspira a favor quando o desejamos.
Agora, depois de 7 dias embarcado, ainda me perco um pouco pelo navio, me perco nos idiomas (pense em uma torre de babel ambulante), mas tudo esta indo bem.

Meu trabalho de Lounge Technician esta sendo bem tranquilo (e espero que continue assim após a saída do italiano que irei substituir). Todo aprendizado que tive em minhas ultimas experiências profissionais está sendo essencial. E digo, que para nós Brasileiros – e latinos no geral, trabalhar com pessoas é bem fácil. Temos apenas de sorrir, ser gentis com os passageiros e consentir quando alguém reclama. Não é um alemão reclamando que o som esta muito alto que irá estragar meu dia. Começo a ver como cada nacionalidade tem um humor diferente (até os italianos, alguns tranquilos, outros acelerados).
Outro ponto que estou gostando muito, e que muita gente reclama, é da comida no navio. Para os vegetarianos, posso dizer que estou fazendo diversos banquetes. Como o número de Indus no navio é grande, assim também é a variedade da nossa comida natural.

Até o momento já passei por três cidades gregas (Igoumenitsa, Katakolon e Atenas). Em Atenas estava tudo fechado por ser comemorado a pascoa ortodoxia, mas a beleza da cidade e a vista dos monumentos históricos já bastaram. Voltarei para lá diversas vezes durante o contrato, então não é necessário ter pressa. Esta foi uma lição que um brasileiro me passou quando disse que o dinheiro que trouxe já estava acabando. Ficamos muito empolgados no primeiro contrato, queremos comprar tudo e experimentar cada novo prato típico. Melhor esperar os primeiros salários chegar e saber ser econômicos.

Hoje em especial, resolvi acordar mais cedo para ver o sol nascer na chegada a Malta, e agradecer por tudo isso estar acontecendo.
E falando em Malta, que lugar fantástico! Mal vejo a hora de descer do navio para conhecer a cidade. E daqui de cima do deck já tenho a certeza que colocarei na minha lista de países que voltarei para desbravar melhor.

Bom, agora é show time! Até a próxima.

Namastê.